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Reitoria nega reivindicações dos formandos, mas oferece a produção das formaturas

quarta-feira, 26/05/10

Reitor afirma que as produtoras de formatura são opcionais

Na manhã de 25 de maio o grupo composto pelo Diretório Central de Estudantes – DCE e três representantes das Comissões de Formaturas 2010/1 e 2010/2 reuniu-se com o Reitor, Carlos Alexandre Netto, com seu vice, Rui Vicente Oppermann, e com a chefe do Cerimonial do Gabinete do Reitor, Márcia Barcelos, a fim de debater as novas mudanças no cerimonial da formatura.

O Reitor iniciou a reunião afirmando que essas mudanças vêm sendo debatidas entre os Diretores de Unidades e Reitoria há um ano, portanto, as mudanças propostas seriam fruto de um amplo debate na comunidade acadêmica, com a participação, inclusive, de professores e alunos, promovido pelos Diretores de Unidades. Contudo, reconheceu que esse debate talvez não tenha sido tão amplo quanto deveria, tendo em vista a surpresa e reação por parte dos discentes e formandos. Por isso, a Reitoria dispôs-se a receber os alunos e ouvir seus argumentos. Apesar disso, ressaltou tratar-se de uma decisão já cristalizada sem possibilidade de mudança. Acrescentou que por ser uma mudança, a ser implementada já nas formaturas do meio do ano, existe a possibilidade de ajustes para as formaturas de verão.

Os estudantes iniciaram seus argumentos salientando a existência de um consenso entre os formandos e a universidade em seus objetivos finais: a questão da redução do tempo de duração das formaturas e a manutenção do caráter solene da cerimônia. Dessa perspectiva, entendem poder fazer parte da construção das novas normas do cerimonial no intuito de acrescentar e, ainda, propor outras alternativas. Dito isto, os estudantes entregaram uma contraproposta à Reitoria, fruto do trabalho de quase 40 Comissões de Formatura e diversos Diretórios Acadêmicos, cujo cerne é a manutenção dos agradecimentos ao vivo dos formandos, mas com uma limitação precisa de tempo, definido conforme o tamanho da turma, ressaltando-se que turmas maiores (mais de 30 formandos) teriam o tempo máximo de trinta segundos. Salientou-se a inclusão na contraproposta de que os discursos individuais deveriam ser impressos com antecedência e dispostos no púlpito em ordem da chamada dos alunos para serem lidos, a fim de evitarem-se improvisos e consequente perda de tempo, além de permitir, com antecedência, que fossem conhecidos pelos Diretores de Unidades e Reitoria. Com isso, parece estarem sendo sanados os principais problemas apresentados pela Reitoria que teriam originado a mudança para discursos em video: o longo tempo de duração dos agradecimentos individuais que resultariam em formaturas extensas e os problemas relativos ao conteúdo dos discursos, que segundo a universidade careceria de decoro e resultaria em perda do caráter solene da colação de grau.

A respeito dessa proposta, Márcia Barcelos arguiu que as Produtoras já estão sendo instruídas a revisarem os discursos gravados em video com o propósito de evitar a transmissão de manifestações inapropriadas. Quanto a isso, os estudantes manifestaram seu desconforto em ter a ingerência das produtoras de formaturas num ato oficial da Universidade e nos discursos produzidos por formandos de uma universidade de excelência em qualidade.

Nesse contexto, ocorreu um dos pontos altos da reunião que foi o questionamento da dependência de contratação de produtoras de formaturas para o cerimonial da UFRGS, diversas vezes questionada pelos discentes e pelos Diretores de Unidades em suas manifestações na última reunião do CONSUN. O Reitor afirmou que não há a necessidade de se contratar os serviços das produtoras, pois a Reitoria dispõe de todo o necessário para a realização das cerimônias de formatura. “Eu mesmo me formei sem produtora. As produtoras são uma opção dos formandos, elas não são necessárias”, ressaltou o Reitor. Como exemplo de que a universidade tem estrutura para produzir formaturas de qualidade, sem as produtoras, foi reiterado por ele a série de eventos realizados pela universidade durante todo o ano no Salão de Atos. “Se a universidade é capaz de fazer diversos eventos não seria diferente com as formaturas”, enfatizou o Reitor, declarando ainda, categoricamente, que a universidade é, sim, capaz de fazer uma boa formatura sem nenhuma produtora.

A formanda e Diretora de Relações Internacionais do DCE, Mariana Martins, lembrou da necessidade de um suporte da Universidade às Comissões de Formatura para que isso possa acontecer, tendo em vista a inexperiência dos formandos com a organização da cerimônia. Márcia Barcelos, chefe do cerimonial, respondeu que o movimento deveria ser inverso, no sentido de que os formandos levassem suas demandas: “basta dizer o que querem que a UFRGS atende as solicitações”. Ora, enquanto outras universidades como a PUC e a UNISC descrevem em suas normas do cerimonial de formaturas os serviços por elas atendidos, a UFRGS solicita que a demanda parta dos formandos, justo num momento em que se está instituindo novas normas de cerimonial e que se poderiam agregar os bons exemplos de outras instituições.

Uma das regras a serem copiadas e sugerida na contraproposta dos discentes é a necessidade que se limite o tempo total de duração da cerimônia. Para que se atendesse ao tempo máximo de duração, nos casos de turmas de formandos compostas por mais de um curso e, portanto, com a presença de mais de um Diretor de Unidade, Paraninfo, Orador de turma e Juramentista, o tempo deveria ser reduzido a cinco minutos para cada um deles. Contudo, Márcia Barcelos negou tal necessidade visto que as autoridades já estão acostumadas a cumprirem seus tempos de discursos. Porém, não foi o que se viu na formatura de janeiro de Ciências Sociais e Filosofia em que o Paraninfo desse último curso falou por cerca de uma hora. Além disso, os estudantes ressaltaram que, no caso de turmas compostas, pelos tempos estipulados pela nova regra do cerimonial, haveria uma hora de discursos somente das autoridades e oradores!

Entretanto, as propostas dos alunos foram negadas pelo Reitor, reafirmando a necessidade de que as formaturas sejam mais rápidas em virtude da quantidade crescente de formandos. “Formaturas mais rápidas é o desejo dos próprios alunos, a discordância está no modo em que isso seria feito”, ressaltou Mariana Martins, uma vez que os graduandos e formandos têm elaborado contrapropostas que levam em consideração a preocupação da Reitoria e Diretores de Unidades de redução do tempo e de resgate do caráter solene, mas também o interesse dos alunos de manterem o discurso individual ao vivo por tratar-se de um ritual significativo para eles e seus familiares, dando maior sentido a todo o restante dos procedimentos formais. Porém, segundo Márcia Barcelos, o ato mais importante e significativo dessa cerimônia é a outorga de grau e a entrega do “diploma” pelo Paraninfo da turma.

Diante de objetivos em comum, mas, de divergências quanto ao maior significado dessa cerimônia, fica o sentimento de que tais argumentos da Reitoria e Diretores de Unidades não passam de justificativas que tentam mascarar decisões unilaterais e intransigentes deles.

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