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Ufrgs projeta ampliações para 2010

terça-feira, 02/02/10

Estamos reproduzindo matéria do Jornal do Comércio de ontem (01/02), com a entrevista do reitor e vice-reitor da universidade, que possui uma série de informações interessantes a respeito dos rumos que a UFRGS vai tomar para este e para os próximos anos. Posteriormente, divulgaremos nossas impressões a respeito disto.
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) completou 75 anos de existência em 2009. Os últimos dez anos foram de grandes transformações na instituição, como a implantação do sistema de cotas, o início de um projeto de expansão impulsionado pelo programa Reuni e uma considerável queda no número de candidatos inscritos no concurso vestibular. O reitor e o vice-reitor da Ufrgs, respectivamente o médico e doutor em Bioquímica Carlos Alexandre Netto e o doutor em Odontologia Rui Oppermann, falaram com o Jornal do Comércio sobre o presente e sobre os desafios futuros da maior universidade pública gaúcha, que, em toda a sua história, já formou mais de 130 mil pessoas no Ensino Superior.
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Jornal do ComércioComo médico e reitor, qual é o seu diagnóstico a respeito da saúde da universidade?
Carlos Alexandre Netto – A universidade vai muito bem. Tivemos um período de recuperação há alguns anos, iniciado com este governo, que assumiu uma política de apoio a toda a educação, e, como parte disso, ao Ensino Superior. A instituição tem recebido apoio material, financeiro de custeio e tem conseguido ampliar os seus quadros. Com isso, a universidade vem crescendo, se revitalizando, com um contínuo estímulo às atividades de pesquisa e à pós-graduação. O quadro hoje é bem positivo.
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JC Quais foram as principais conquistas da universidade em 2009?
Netto – Nós tivemos a contratação de aproximadamente 150 servidores técnico-administrativos, todos por concurso. Mas o maior avanço foi em nível acadêmico, com a criação de cursos e com a ampliação de vagas nos já existentes. Foram feitas muitas reformas, inaugurados novos espaços, como o núcleo de Ensino a Distância, no Campus do Vale. Temos a previsão de construção de mais de 90 mil metros quadrados. Claro que não faremos isso em 2010 e nem até o final de nossa gestão, mas temos recursos, alguns em caixa e outros projetados. Com isso vamos ampliar em 30% a área construída da universidade. No Campus Central planejamos construir um prédio de salas de aula, entre o Direito e a Economia, e a Faculdade de Arquitetura será ampliada. No Campus Saúde iremos ampliar em 56% a área construída. Serão construídos o Hospital Odontológico e o Instituto de Ciências Básicas da Saúde. No Campus Olímpico serão feitos quatro prédios, incluindo um salão de lutas e uma creche. No Campus do Vale ocorrerá a maior ampliação em termos de prédios. Teremos a construção de um Restaurante Universitário (RU), de uma Casa do Estudante, de prédios para os novos cursos de graduação e outros direcionados à pesquisa do Centro de Energia e do Parque Tecnológico da universidade que instalaremos neste ano.
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JC Como está a questão dos cursos noturnos? Existe a intenção de aumentá-los?
Netto – Temos dois dados importantes. Primeiro, o Vestibular 2010 foi o primeiro em que tivemos mais de 20% das vagas oferecidas em cursos noturnos. Concordamos que a universidade tem a obrigação de oferecer cursos à noite para atender aos estudantes trabalhadores. Temos a meta de, até 2012, duplicar o número, além de aumentar em 65% as vagas em cursos noturnos.
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JC – O que o Reuni representa para a universidade e para o futuro do Ensino Superior?
Netto – O Reuni é o futuro do Ensino Superior no País. Até alguns anos atrás, a universidade pública vinha sofrendo com a falta de investimentos, tinha dificuldades nas questões salariais com os servidores. Atualmente, além da reestruturação das carreiras de docentes e servidores, o Reuni é a realidade da expansão da universidade. Há alguns anos, a universidade pública não oferecia mais do que 20%, 25% das vagas do Ensino Superior no Brasil.
Agora essa proporção já mudou. Comparado com o que tínhamos há cinco ou seis anos, as universidades públicas estão oferecendo o dobro das vagas. Houve a criação de novas universidades e a expansão de todas as já existentes.
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JC Nos últimos meses temos visto alguns debates a respeito de uma possível expansão da universidade para o Litoral Norte. Qual é a importância da ampliação da Ufrgs para outras regiões do Estado?
Rui Oppermann – Passamos 2009 nos reunindo com a comunidade da região. Agora temos a bancada gaúcha em Brasília nos dando apoio. Os profissionais que atuarão lá, ao contrário do que ocorre hoje, estarão lotados na região e não ficarão se deslocando de Porto Alegre para o Litoral. Temos recebido apoio da classe política para essa expansão. E outras regiões, como a Serra, por exemplo, também estão se movimentando. Esse não é um processo simples.
Mas podemos dizer que, dentro da nossa visão de expansão, as duas regiões prioritárias são o Litoral Norte, já avançado, e a Serra.Não temos o lugar fechado no Litoral para a instalação do campus, mas Tramandaí tem vantagens pela sua posição geográfica e pelas facilidades de transporte.
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JC A Ufrgs está completando dois anos da implantação do sistema de cotas. Qual a avaliação que os senhores fazem até agora da iniciativa?
Oppermann – Nós temos uma comissão permanente de acompanhamento dos cotistas, que é responsável pelas políticas e iniciativas no que tange ao acompanhamento dos estudantes na universidade, tanto para buscar apoio quanto para possibilitar a fixação dessas pessoas na comunidade universitária.
Instalamos uma subcomissão para avaliar o sistema de cotas. Não fizemos isso antes porque qualquer avaliação seria prematura. Ainda não temos os números em detalhes. O que já sabemos é que houve um aumento no número de estudantes advindos do ensino público. Até a metade de 2010 já esperamos ter condições de apresentar os dados completos em relação aos dois primeiros anos.
Netto – Notamos também que aumentou muito o percentual de estudantes que vêm de famílias com rendimentos de até seis salários-mínimos. Nesse quesito, o quadro atual é bastante distinto da realidade anterior às cotas. Isso mostra que a opção pelo critério escola pública atinge uma questão social. Houve um crescimento muito forte da presença dessa faixa da população que antes estava pouco presente.
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JC Quais são as maiores carências da universidade hoje?
Netto – As principais carências são de infraestrutura física e de pessoal. Possuímos muitos recursos para obras, mas não temos quadros suficientes para fazê-las. Apesar de, desde o início do Reuni, já termos contratado mais de 220 novos servidores, desse total, são poucos engenheiros e arquitetos.
Precisamos reforçar o quadro de profissionais de nível superior nessas áreas para poder dar conta de tantos projetos. Nossa carência principal em várias áreas é falta de pessoal qualificado. Não que nós não tenhamos hoje temos, mas em número insuficiente. Um ponto que acho importante ter muito mais investimento é o da assistência estudantil. E essa é uma das nossas fortes carências.
Oppermann – Temos de nos projetar no futuro e pensar aonde queremos ir. Este é um chamamento reflexivo que fazemos à comunidade interna e externa. Nos próximos anos vamos discutir o futuro da Ufrgs. A inovação e a tecnologia também são outros desafios. Temos participado na produção de ciência e tecnologia no Estado e no País. Entretanto, a dinâmica como isso é tratado na sociedade mudou muito. Os parques tecnológicos têm sido instrumentos para canalizar esse potencial. A universidade está agora propondo o seu parque, e isso vai beneficiar a comunidade, porque a proposta que estamos fazendo é própria de uma instituição pública, o que dará formatos inéditos à iniciativa.
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JC Em junho de 2009, o STF decidiu pela não obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão e deixou aberta a possibilidade de o mesmo ocorrer com outras profissões. Como reitor de uma universidade que prepara esses futuros profissionais, de que modo o senhor avalia essa decisão e como ela pode influenciar no Ensino Superior do País?
Netto – A missão da universidade é formar profissionais competentes e qualificados. O fato de o STF ter emitido essa decisão não muda em nada a nossa visão do curso de Jornalismo. É um curso importante, que continua crescendo e se renovando, e assim continuará, tendo todo o apoio da administração central. A questão corporativa escapa da universidade. A instituição forma os profissionais, mas o exercício da profissão é regulado pelo mercado e pelas tensões que existem na sociedade. Não nos cabe discutir a decisão do STF.
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JC O vazamento da prova do Enem, mostrou que a Ufrgs estava certa em ainda não adotar o exame como forma de ingresso na universidade?
Netto – A Ufrgs optou por usar o Enem de forma parcial. E decidiu que esse uso seria escolhido pelo próprio candidato. Ninguém pensou ou previu esse vazamento. Mas isso não significa que a universidade tomou a decisão de não utilização por qualquer desconfiança. Tomamos porque temos um concurso vestibular tradicional, organizado de forma extremamente cuidadosa, e que desde o início nunca teve problema. Faz muitos anos que não temos sequer a anulação de uma única questão. Não tínhamos razão para deixar de usar um sistema que está dando certo para adotar o novo exame.
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JC Nos últimos dez anos houve uma diminuição de 29,7% no número de inscritos no vestibular da Ufrgs, passando de 46.522 no ano 2000 para 32.706 em 2010. A que o senhor credita essa queda?
Netto – Nós temos atualmente uma oferta muito maior de vagas no sistema público. Todas as universidades se expandiram, foi criada a Unipampa também, portanto, temos mais ofertas de vagas. Se o número de postulantes fosse o mesmo, nós já teríamos uma diminuição em razão disso. O número total de candidatos no sistema também diminuiu. Isso ocorre por duas razões: como temos mais vagas, o represamento de candidatos é menor, ou seja, eles fazem menos vestibulares até entrar na universidade e também porque temos sinais claros de que está diminuindo o número de egressos do Ensino Médio.Outra razão é que as famílias vêm tendo menos filhos e essa população na idade entre 18 e 20 anos é menor do que há anos atrás.
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JC A última eleição para o DCE resultou na vitória de um grupo que difere bastante do perfil político dos que vinham comandando o diretório anteriormente. O senhor acredita que haverá mudanças na relação da reitoria com o DCE em razão disso?
Netto – Temos uma tranquilidade muito grande no diálogo com a representação estudantil e isso continuará ocorrendo.
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JC Quais são os desafios futuros da universidade?
Netto – Os desafios são crescer com qualidade, porque, para incluir, a universidade precisa crescer. Manter e estreitar a interação com a sociedade é outro desafio. Também queremos fazer da Ufrgs cada vez mais uma universidade internacionalizada, pois isso oferecerá mais oportunidades de qualificação para os nossos estudantes.
Oppermann – Outro desafio é a universidade participar do sistema nacional de educação, trabalhando para que todo o sistema melhore, seja no Ensino Fundamental, no Ensino Médio ou na ampliação estratégica de educação a distância. Este é reconhecidamente um grande nó crítico que temos no País e estamos dispostos a superar.
http://www.clipping.ufrgs.br/jornal/fevereiro/010210/jc23.pdf
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