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Lançado IV Congresso de Estudantes da UFRGS

quinta-feira, 03/09/09

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A hora da democracia

É chegada a hora de se organizar para participar do IV Congresso dos Estudantes da UFRGS, que ocorre nos dias 2 e 3 de outubro. Falta muito? Mas calma lá, o congresso não se resume a esses dois dias, portanto, não deixe para ler esta matéria na noite do dia 1º.

Os estudantes não têm voz nos espaços da universidade. Nos conselhos da universidade nosso voto tem peso de 15%, enquanto o dos professores é de 70%. Mas tem um final de semana em que a gente pode falar, reivindicar e votar. E nesse espaço, todos os votos têm o mesmo peso.

Trata-se do IV Congresso de Estudantes UFRGS, que deverá congregar estudantes de todos os cursos e todos os campi da universidade. “Ao trazer as pautas dos cursos, os congressos conseguem ser um momento de oxigenação das pautas do DCE”, acredita o ex-aluno da ESEF, Shin Nishimura. O Bacharel em Educação Física acha que o congresso é também o momento em que os estudantes percebem que os problemas que enfrentam em seu curso são parte de um contexto maior, de uma universidade privatizada e sucateada.ru-na-esef-ja-logo

Então, antes dos trâmites burocráticos, aposto que você está mais interessado em saber quais são as possibilidades de intervenção no congresso, acertei? Para começo de conversa, pode-se apresentar um resultado direto do II Congresso da UFRGS (2006): a construção do RU da ESEF.

Shin lembra que a pauta – juntamente com o repúdio ao REUNI – acabou gerando a ocupação da Reitoria no ano seguinte. Segundo ele, o RU da ESEF é reivindicado pelos estudantes de lá desde que ela fora construída, mas ganhou visibilidade a partir do II Congresso dos Estudantes da UFRGS. E assim as mobilizações se propagaram para além do Campus Olímpico. É certo que quem não participou diretamente ao menos andou por aí com um adesivo colado “RU na ESEF já!”.

No Congresso de 2006 também foram ampliadas as discussões sobre cotas, especialização, autonomia, paridade nos conselhos da universidade (33/33/33!), REUNI, assistência estudantil (graças a esse congresso podemos nos lambuzar também à noite no RU da saúde) e fundações de apoio (foi aí que se materializou a luta pela extinção dos cursos pagos).

“Em defesa da universidade pública e popular” foi o mote do III Congressso, que teve um recorde de participação: 130 delegados (180 inscritos) de todos os cinco campi da universidade. As discussões foram centradas no REUNI e no movimento estudantil nacional. O estudante de História Diego Vitelo avalia o congresso como “um exemplo de democracia estudantil, em meio à burocratização do movimento estudantil, na contramão do que vem sendo imposto pela direção majoritária da UNE”.

Falando na UNE, houve discussão também sobre entidade estudantil. Diego lembra que entre as resoluções estava a de que o DCE comporia o campo de oposição de esquerda da UNE e que participaria apenas como observador da extinta Conlute.

Todos lembram da discussão sobre cotas raciais e sociais, em virtude daquele ter sido o ano anterior a sua implantação na UFRGS. Vitelo lembra que iniciou ali um movimento anti-cotas. “Inclusive eles se negaram a participar do congresso, preferiram não construir um congresso democrático”, alfineta.

Além disso, aquele congresso acabou se destacando por “ter dado o eixo das eleições para o DCE naquele ano”, conforme constata Diego. “Aquele foi o ano da ocupação da reitoria, que foi uma vitória do movimento, inclusive a chapa foi montada em cima daquele congresso, com muita gente nova”, recorda.

Uma destas novas integrantes era Paula Agliardi, então estudante de Biologia (hoje, nas Ciências Sociais), uma das atuais coordenadoras gerais do DCE. Paula começou a militar a partir do III Congresso, em 2007. E não parou mais.

O congresso não é apenas o momento de debater e votar resoluções fechadas. É também um espaço de propor alternativas, como novos momentos de discussão. Foi assim que, no debate sobre aborto, consensuou-se que as pessoas ali presentes apresentavam um conhecimento insuficiente para votar uma resolução contrária ou favorável à descriminalização, e decidiu-se pela criação do Encontro de Mulheres, ocasião em que o tema seria destrinchado com propriedade.

Em relação à pauta de gênero houve ainda outro avanço importante neste mesmo congresso: ele resolveu que também os (as) filhos (as) das estudantes da UFRGS deveriam ter direito à creche, até então restrita aos filhos de professores e funcionários.

Pronto. Depois de tudo isso você já deve saber um pouco melhor o que é o Congresso dos Estudantes da UFRGS e as suas possibilidades de intervenção, não? Pra saber mais ainda, leia o edital abaixo e acompanhe o link “Congresso dos estudantes da UFRGS” que será criado para postar as novidades.

O primeiro passo de participação foi o CEB (Conselho das Entidades de Base) congressual, realizado na última quarta-feira (26/8), para o qual os centros e diretórios acadêmicos foram convocados. Depois, no dia 9/9, é a vez da apresentação de teses, que pode ser feita tanto por DA’s e CA’s quanto por grupos políticos que reúnam pessoas de diversos cursos da UFRGS. De 14 à 18 de setembro ocorrem debates sobre as teses nos campi. O período reservado para a tiragem de delegados vai até 30 de setembro, e a inscrição destes últimos será no dia 1º. Te organiza! E não te esquece de dar uma olhada na programação, que será divulgada em breve no site do DCE!

Ana Lúcia Mohr, estudante de Jornalismo.

BAIXE AQUI O EDITAL COMPLETO

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