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Adiamento das aulas e a gripe suína

quarta-feira, 12/08/09

O DCE-UFRGS vem a público se manifestar sobre adiamento das aulas e esclarecer a comunidade acadêmica em relação à gripe suína.

A gripe A (suína) é causada pelo vírus influenza A, que sofre seguidas mutações e que pode resultar em doenças de alta ou baixa mortalidade. O termo H1N1 se refere ao subtipo do vírus influenza A mais comum na infecção em humanos pela gripe suína. Para o caso atual, prevalecem casos leves, porém há casos em que a doença se manifesta de forma grave, inclusive em jovens aparentemente saudáveis. Há, por exemplo, casos de internação hospitalar de estudantes de Medicina da UFRGS devido à doença. Porém, ainda estão em andamento investigações sobre alguns aspectos da doença ainda não completamente sabidos, tal como a real letalidade da enfermidade, a qual teve diferentes valores encontrados nos mais variados países, variando desde 2,4% (Argentina) a 0,6% (EUA).

A gripe A se difere de outras gripe pois parece ter um contágio pessoa-pessoa maior que o comum, sendo transmitida por tosse, espirro, contato com secreções respiratórias, dentre outros. Assim, compreendemos a atitude da Reitoria ao adiar o reinício das aulas, a fim de evitar, dentre outros, aglomerações dentro de salas de aula fechadas e, assim, proteger os estudantes e a comunidade geral.

Dentre as medidas preventivas não só para esta gripe, mas para outras doenças também, a higiene adequada das mãos é indicada e, portanto, deve ser SEMPRE realizada. Entretanto, é bem sabido também que nos banheiros de nossa Universidade não é possível tal medida, visto a corriqueira ausência de sabão, toalhas de papel, papel higiênico, assim como condições de limpeza e infra-estrutura mínimas. Sendo assim, reivindicamos da Reitoria medidas imediatas que contornem esta situação não só para proteção contra a gripe A, mas sim para que os estudantes possam diariamente ter condições de fazer uso de banheiros apropriados para a higiene pessoal.

Atentamos para outro fato. É notório que em períodos de uma “epidemia” como esta a lamentável situação da saúde pública se evidencia. Casos extremos como o atual aumentam a demanda de atendimento e, assim, se somam à já insuficiente oferta de serviços públicos para a atenção cotidiana à saúde da população, o que é causado principalmente pela falta de destinação de recursos públicos por parte do governo federal para as áreas sociais, dentre elas, a já citada saúde. Isso acarreta ainda mais filas nos postos e hospitais públicos, em contraste com a ociosidade da maioria dos hospitais privados. Assim, é preciso que o aumento do acesso à saúde à população seja imediato, através da aquisição de infra-estrutura, contratação de profissionais aptos a atender às demandas atuais e futuras, além da edição de uma MP pelo presidente Lula para que os hospitais particulares atendam a população gratuitamente.

Ainda, repudiamos atitudes que tenham como objetivo tornar este período um período de “temor” excessivo e desnecessário, visto algumas informações ainda inconclusas sobre a gripe. Sabe-se que o interesse de que haja esse terror é principalmente da Indústria Farmacêutica, que utiliza as mais variadas formas de manipulação para manter e aumentar seus já imensos lucros e endividar ainda mais alguns países periféricos. Para evitar que tais interesses prevaleçam, é imperativo exigir que seja quebrada pelo Governo Lula, que é o responsável pelo ato, a patente do medicamento Tamiflu (oseltamivir) – que é eficaz contra o vírus influenza A –, assim como demais medicamentos contra a gripe, e que sejam produzidos em laboratórios estatais e distribuídos gratuitamente os genéricos destes. A tecnologia de produção da vacina contra a gripe também deve ser universalizada, e não restrita a um laboratório privado. Medicamentos fazem parte do tratamento das mais diversas enfermidades e devem ser entendidos como um direito à saúde, não uma mercadoria.

Nós, do Diretório Central dos Estudantes, gestão 2008/09 “DCE Sempre em Frente! UFRGS Pra que(m) te quero?!” , ressaltamos, finalmente, o pronunciamento da Reitoria, que coloca em dúvida a volta às aulas para o dia 17 de agosto. Entendemos a preocupação com a propagação da gripe, porém, no papel de representação estudantil da UFRGS, o DCE solicita à Reitoria que, assim que houver mais clareza acerca do comportamento da doença, seja imediatamente divulgada uma data oficial e definitiva de reinício das aulas, tendo em vista que os mais de 20 mil estudantes da Universidade necessitam de um mínimo planejamento para as mais diversas atividades que desejam realizar no segundo semestre, além do desagradável fato de que com o adiamento as aulas devem se estender até o final de dezembro.

Porto Alegre, 12 de agosto de 2009.

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