h1

Nota Pública do DCE/UFRGS sobre o Concurso Vestibular 2008

segunda-feira, 28/01/08

Gestão Todos Iguais, Braços Dados Ou Não 2007/2008

No polêmico debate sobre as cotas na UFRGS, sempre tivemos posição – votada democraticamente no II Congresso de Estudantes (junho/2006) –, inclusive na ocupação da reitoria (05 e 06/06/2007), quando exigimos medidas efetivas da ampliação e popularização da Universidade.

Estivemos também sempre do lado daqueles que defendem uma Universidade Pública e Popular, que reflita a composição racial/étnica brasileira e que esteja ao alcance dos filhos da classe trabalhadora.

Os números da desigualdade étnico-racial no Brasil explicitam a necessidade de políticas públicas de inclusão. Ricardo Henriques (2001) traz como dados que menos de 2% de negros e menos de 1% de indígenas estão nas universidades brasileiras. Cabe à universidade, como um dos pólos do conhecimento no país, não eximir-se sobre tais dados. Sendo assim, através de amplas pesquisas, considera-se que até hoje nenhuma medida de inclusão social na educação se mostrou tão efetiva quanto a reserva de vagas. Defendemos essa medida porque ela questiona um modelo injusto, desigual, onde predomina a lei do mais forte racial e financeiramente.

Os números obtidos pelo Concurso Vestibular (CV) da UFRGS em 2008 são por si só impressionantes: Todas as vagas reservadas foram preenchidas. 295 estudantes de escola pública auto-declarados negros obtiveram suas vagas. Isso representa um aumento de mais de 100% em relação aos negros que hoje estão estudando na UFRGS, e representam menos de 1% do total de quase 23 mil estudantes.

A escola pública obteve 45% das vagas, mais que o dobro do vestibular de 2007. Ainda há uma enorme discrepância entre os formados do ensino médio e os ingressantes no ensino superior públicos. Porém, o CV 2008 se torna um marco na luta pela popularização da UFRGS. Um ponto de inflexão que nos fará ter, de fato, uma Universidade realmente Viva.

Infelizmente, uma parte dos que resistem às cotas o fazem de maneira racista. Ao não registrar que, por exemplo, no curso de Medicina, embora não haja cotistas negros, foram preenchidas as 30% de vagas reservadas. Portanto, ao considerar cotistas apenas os negros mostra-se a face perversa daqueles que não querem a popularização da Universidade.

Seguiremos na exigência de que o governo Lula amplie o acesso à universidade, incluindo em seus bancos a pluralidade étnico-racial e social que compõe a sociedade; que garanta mais verbas para a educação, que é uma demanda urgente para a ampliação substancial de vagas com qualidade. Soma-se a isso a assistência estudantil, mais verbas para a pesquisa, para concurso público para professores e funcionários. Isso será possível quando se eleger como prioridade a educação pública ao invés dos lucros dos banqueiros e dos grandes empresários, construindo uma Universidade que não esteja alheia à sociedade em que está inserida.

Porto Alegre, 28 de janeiro de 2008

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: