h1

FORA ARACRUZ DA UFRGS! (Contramola N.º 1)

quarta-feira, 14/03/07

Os convênios com grandes multinacionais vêm se tornando freqüentes em nossa universidade. Algumas delas, inclusive, já tem seus próprios laboratórios dentro da UFRGS. A produção de conhecimento, a qual deveria ser independente e autônoma, passa a ser gerida pelas leis de mercado e voltada aos interesses de grandes empresas. É esta a realidade da maior parte das universidades federais brasileiras, cada vez menos públicas devido às políticas neoliberais dos sucessivos governos. Uma evidente inversão de valores vem ocorrendo na pesquisa acadêmica, onde o lucro passa a ser mais importante que o atendimento à função social da universidade, qual seja, contribuir para o desenvolvimento social eqüitativo, colocando-se a serviço do povo, que a financia, e da busca de soluções para os principais problemas do Brasil, tais como a fome, o desemprego e a falta de habitação.

O fato de convênios como este serem parte de um processo cada vez mais profundo de mercantilização do saber, comprometendo claramente o caráter público de nossa universidade, por si só, já bastaria como argumento para barrar sua aprovação. Porém, o mais grave, no caso da Aracruz, é sua política de irresponsabilidade ambiental e social. O plantio de eucaliptos é responsável por grandes agressões ao meio-ambiente, provocando ampla perda da diversidade biológica, esgotamento do solo e dos recursos hídricos. Ademais, firmar parceria com a Aracruz significaria uma contradição muito grande para uma universidade que, em seminário recente realizado no seu Salão de Atos, promoveu debate que teve como tema as mazelas ambientais conseqüência deste mesmo tipo de agricultura.

Além do meio-ambiente, outro alvo das agressões da referida empresa são os direitos humanos. Em janeiro do ano passado, a Aracruz Celulose foi responsável pela destruição de duas aldeias indígenas e expulsão de cerca de 70 pessoas das tribos Tupiniquim e Guarani do local onde tradicionalmente viviam, no município de Aracruz-ES, em um violento ataque que resultou em dezenas de feridos. A ação rendeu à Aracruz um lugar no banco dos réus do Tribunal Permanente dos Povos, em Viena, além da venda, por parte da coroa sueca, das ações que detinha na referida empresa, por discordar dos atentados por ela praticados contra os direitos humanos e o meio ambiente.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: