DCE-UFRGS

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Posts de Julho, 2007

Reflexões sobre as causas de desastres do capitalismo

Publicado por DCE-UFRGS em Segunda-feira, 23/07/07

Tragédias como a da TAM, da Gol, do Concorde em 2000, dos petroleiros nos anos 70, da plataforma P-37 e da barragem da mineradora Rio Pomba tiveram causas específicas, mas uma é sistêmica: a ganância pelo dinheiro.

Bernardo Kucinski*

Vão dizer que eu estou exagerando. Lá vem ele de novo, culpando o capitalismo por tudo, até mesmo por essa fatalidade que foi a tragédia do avião da TAM. Além do mais, causada provavelmente pela condição da pista, negligência da Infraero, ou seja, culpa do Lula…

Mas será que o exagero não está em atribuir um acidente desse porte a uma pista apenas molhada num dia de chuva leve? Houve certamente uma causa material, específica, ou um conjunto de causas. E a pista pode ter sido uma delas. Mas só a pista não explica o desastre. Houve dezenas de outras  decolagens e aterrissagens debaixo de chuva na mesma pista.

O grande desastre com o Concorde em agosto de 2000, que levou ao abandono desse supersônico três anos depois, também aconteceu por uma seqüência incrível de causas: a primeira delas, um pequeno pedaço de metal desprendido de um pneu numa decolagem anterior e que passou desapercebido na varredura de rotina da pista.

Há outro elemento comum entre os desastres do Concorde e do Airbus: o gigantismo dos aviões. O Concorde era um gigante com capacidade de 100 passageiros e 185 toneladas na decolagem. Foi derrubado por um pedaço de  arame, não por causa do tamanho do arame, por causa do tamanho do avião. O Airbus 320 também é um gigante. Pode decolar com até 77 toneladas.

Os engenheiros dizem que ele precisa de 2.200 metros de pista para pousos com margem razoável de segurança. A pista de Congonhas tem 1939 metros. Dá para pousar. Pousou inúmeras vezes. E tudo indica que o desastre não aconteceu por causa do tamanho da pista ou da condição da pista. O avião nem conseguiu frear, portanto nem chegou a derrapar.

Mas a permissão para o Airbus operar em Congonhas, sem muita margem de segurança, não é mero acaso, é uma imposição do mercado. Da voracidade da demanda por assentos em vôos regionais. Da ganância. O Concorde também nasceu de pesquisas de mercado. Surgiu no apogeu das multinacionais americanas. Tomar o café da manhã em Nova York e almoçar em Paris, mesmo voando contra o fuso horário. Essa era a idéia. Uma demanda do mercado.

Na década de 70, sucediam-se desastres com navios petroleiros. Colidiam com terminais e outros navios, provocando derrames enormes de óleo, matando peixes, poluindo quilômetros de praias. Cada desastre tinha sua causa específica ou conjunto de causas. Mas o fator comum a todos eles era o 
tamanho dos petroleiros, gigantes de até 400 mil toneladas, verdadeiros Titanics possuídos de tanta inércia que uma correção de rumo tinha que ser decidida um dia antes. A maioria eram petroleiros de bandeira liberiana; artifício usado pelos armadores para manter tripulações mínimas e burlar rigores de fiscalização. Ganância da indústria do petróleo, a serviço da voracidade americana por petróleo barato do Oriente Médio.

Seis anos atrás, um incêndio eclodiu a maior das plataformas marítimas da Petrobrás, a P-37, do campo de Roncador. Seguiram-se explosões. Morreram dez operários e a plataforma foi totalmente perdida. O desastre teve causas específicas. Ventilação deficiente, despreparo no combate ao fogo.  Mas o  fator sistêmico do desastre foi a terceirização da exploração de petróleo para reduzir custos trabalhistas e, de quebra, enfraquecer os sindicatos dos petroleiros, vistos pela direção neoliberal da Petrobrás como uma “elite” operária. Neoliberalismo e ganância.

No começo deste ano, rompeu-se uma barragem da mineradora Rio Pomba, em Minas, inundando e enlameando seis cidades, rio abaixo, até o Estado do Rio de Janeiro. O desastre teve causas específicas, a principal delas a forte concentração de chuvas naqueles dias. Mas o fato é que a barragem de oito metros de altura e capacidade para 200 milhões de litros foi construída sem licença ambiental e não possuía mecanismos para o escoamento. Economia, ganância e negligência do Estado, esvaziado por décadas de neoliberalismo.

Em janeiro deste ano, um desabamento engoliu sete pessoas nas obras da linha 4 do metrô de São Paulo. Um grande desastre. Certamente provocado por causas específicas. Talvez, erros nos índices de estabilidade do solo ou na aplicação das camadas de cimento do túnel, agravadas pelo recurso a explosões como método de escavação. O consórcio tinha pressa. As mesmas empresas iriam depois operar a linha 4 em regime de concessão. Havia prêmios de desempenho para as subcontratadas que ganhassem tempo no cronograma de trabalhos. O Estado olhava para o outro lado, porque também tinha interesse político numa inauguração antes das eleições municipais de 2008. O menor tempo teve preferência sobre a maior segurança. Política, ganância e negligência do Estado.

A tragédia com o avião da Gol, impossível estatisticamente de acontecer, no  entanto aconteceu por um somatória incrível de causas específicas. Nenhuma delas sozinha teria levado à colisão. E mais: bastava uma delas não ter acontecido para não ter havido colisão. Aquilo, sim, foi um a tragédia em
que o acaso falou mais alto. Mesmo assim, houve influência de pelo menos um fator sistêmico: o regime de trabalho dos controladores de vôo, em número insuficiente para o mercado que cresceu rapidamente. Duas décadas de neoliberalismo, impediram que Estado contratasse mais servidores, que fizesse concursos públicos. Seu mote era terceirizar e privatizar. Esvaziar o aparelho de Estado. Enquanto isso, o transporte aéreo crescia e crescia. Negligência e neoliberalismo.

Querem que eu continue? Ou vamos parar por aí?

*Professor da Escola de Comunicação e Artes da USP

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O DCE dá boas-vindas aos BIXOS!!!

Publicado por DCE-UFRGS em Terça-feira, 17/07/07

bixos-material-figura.jpg O Diretório Central dos Estudantes deu boas-vindas aos novos estudantes, que fizeram a matricula nesta terça-feira (17/7). Nesta manhã, além de receber material de boas-vindas, os estudantes também puderam conversar sobre a responsabilidade social da universidade pública e tirar dúvidas sobre a UFRGS e a atuação do DCE, a atividade continuará no periodo da tarde nos campus centro, saúde e olímpico.

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Isenções para o vestibular 2008!!!

Publicado por DCE-UFRGS em Terça-feira, 17/07/07

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Funcionamento do DCE nas férias

Publicado por DCE-UFRGS em Segunda-feira, 16/07/07

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O DCE estará atendendo apenas na sua sede central (do dia 23/7 ao 3/8 das 9 às 19h) no periodo de férias. A sede central passará por uma reforma geral  de 16 a 20/7 e portanto estará atendendo apenas pelo e-mail nesta semana. (dce@ufrgs.br)

Coordenação DCE/UFRGS

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Projeto da Nova Casa dos Estudantes (CEU-Vale)

Publicado por DCE-UFRGS em Sexta-Feira, 06/07/07

A SAE/UFRGS apresentou nesta semana o pré-projeto da Nova Casa do Estudante (CEU-Vale), a Moradia Estudantil, segundo projeto, terá 124 dormitórios duplo, cozinha, lavanderia, área de lazer, área para secagem de roupas, sala de estudos, sala de estar e sala de informática.

O GT formado pelo DCE e moradores das casas está discutindo possiveis alterações no projeto com a finalidade de adequar as necessidades reais de quem vai  realmente utilizar a moradia, os estudantes!  

 Fotos do Projeto apresentado:

Projeto       Localização        Pav. Térreo       2º e 3º pav.

 Nesta próxima semana estaremos na CEFAV e na CEU  para apresentar o projeto aos estudantes com dias e horários ainda à definir.

 

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NOVA CASA DE ESTUDANTES NO CAMPUS DO VALE

Publicado por DCE-UFRGS em Quinta-feira, 05/07/07

logo do dce

O Diretório Central dos Estudantes convida a comunidade acadêmica para a discução do projeto da Nova Moradia Estudantil que será instalada no Campus do Vale.

Quinta-feira

05/07/2007 – 18h – DCE centro

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UFRGS APROVA AS AÇÕES AFIRMATIVAS

Publicado por DCE-UFRGS em Segunda-feira, 02/07/07

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Decisão histórica saiu após mais de seis horas de reunião

Rodolfo Mohr

O Conselho Universitário (CONSUN) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) aprovou a política de Ações Afirmativas que prevê a reserva de vagas étnico-raciais e sócio-econômicas já para o próximo vestibular, nesta sexta-feira, 29/06.

A reunião em que foi encaminhada a votação da proposta elaborada após a do dia 15/06 ser adiada, teve contornos inesperados. Às 8h 30 min, hora do seu início, um oficial de justiça entregou ao Reitor José Carlos Ferraz Hennemann decisão da juíza Paula Beck Bohn, da 2ª Vara Federal de Porto Alegre, impedindo a votação do projeto de cotas atendendo ao pedido da conselheira Claudia Thompson, representante discente eleita em novembro de 2006 pelo grupo contrário às cotas. “Solicitei a liminar pela falta de respeito do CONSUN que pela segunda vez não envia o conteúdo das discussões há tempo, conforme o regimento” argumentou a estudante de Engenharia Química. Segundo o conselheiro Cristiano Moreira, estudante de Direito e do DCE/UFRGS “todos no CONSUN sabem a posição política dela (Claudia), esta é uma medida antidemocrática, pois foi tomada exatamente para impedir a votação do projeto”.

Por volta das 11h 20 min, o reitor Hennemann anunciou que a liminar foi revogada na Justiça Federal e abriu o processo de votação, o que legalmente impede que se solicite vistas ao processo, o que acarretaria no retardamento em no mínimo uma semana da votação da proposta. Após mais de 6 horas de reunião, o projeto aprovado contempla reserva de 30% das vagas da Universidade em todos os cursos de graduação para egressos de escola pública. Dentro desse percentual, metade das vagas é destinada a estudantes que se autodeclararem negros. Os indígenas terão até 10 vagas por ano de acordo com as necessidades apresentadas e analisadas por cada comissão de graduação. Em 2013, ocorrerá a primeira avaliação da política de cotas na UFRGS. Uma comissão de acompanhamento ao cotista foi aprovada e terá como designação promover as condições para que o estudante de baixa renda tenha condição de se manter até a formatura no seu curso.

Ao término da reunião o reitor, em coletiva de imprensa, saudou a possibilidade de no próximo vestibular da Universidade, estudantes de escolas públicas vislumbrarem uma real possibilidade de acesso ao Ensino Superior público. Aos manifestantes eufóricos com a conquista obtida, que estavam na reitoria desde a noite anterior em vigília, afirmou que “uma longa reunião tomou uma consciente decisão”.

Durante as falas dos diversos movimentos – negro, indígena, estudantil e popular – que compunham a Frente Pró-Cotas na UFRGS, a palavra de ordem “quem não pula é racista”, fez o até então sisudo reitor pular com os braços para cima usando o colar que foi presenteado pelo representante do movimento indígena.

A UFRGS abre um importante precedente em nosso estado, já que a Universidade Federal de Santa Maria também discute o projeto de Ações Afirmativas que logo estará em pauta de votação no seu Conselho Universitário.

Rodolfo Mohr: estudante de jornalismo da Ufrgs e integrante do DCE Ufrgs.

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